By Brazil Admin on Wednesday, 25 March 2026
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Problemas de casco em vacas leiteiras: impactos na produção e estratégias de prevenção

O casco como base da produção leiteira

 Na pecuária leiteira, a saúde dos cascos é um dos pilares da produtividade do rebanho. Vacas leiteiras caminham diversas vezes ao longo do dia para acessar alimento, água e a sala de ordenha, o que torna os cascos estruturas fundamentais para o bem-estar e o desempenho produtivo.

Quando surgem problemas de casco, a dor dificulta a locomoção e interfere diretamente no comportamento da vaca. Animais com dor tendem a caminhar menos, permanecem mais tempo deitados e reduzem o consumo de alimento.

Esse quadro gera impactos importantes: queda na produção de leite, pior desempenho reprodutivo e maior risco de descarte precoce de vacas.

Pesquisas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que fatores relacionados ao bem-estar animal, conforto e manejo influenciam diretamente o consumo de alimento, o comportamento e o desempenho produtivo das vacas leiteiras, impactando a produção e a eficiência do sistema produtivo.

Dentro desse contexto, a claudicação, caracterizada pela alteração na forma de caminhar causada por dor nos membros, é considerada um dos problemas sanitários mais frequentes em sistemas leiteiros intensivos. Neste artigo, vamos explicar por que as vacas leiteiras são mais suscetíveis a problemas de casco e o que pode ser feito para prevenir e tratar essas ocorrências no rebanho. Acompanhe!

​Por que vacas de leite são mais suscetíveis a problemas de casco?

Diversos fatores presentes nas propriedades leiteiras podem aumentar o risco de lesões e doenças nos cascos, especialmente as condições ambientais e o manejo adotado no sistema de produção.

Segundo publicações técnicas da Embrapa, a intensificação da produção leiteira e o confinamento de animais aumentam os desafios sanitários e o desconforto, exigindo maior atenção ao manejo e às condições das instalações.

Alguns fatores que favorecem o surgimento de problemas incluem:

Permanência prolongada em pisos de concreto: superfícies duras aumentam a pressão sobre o casco e favorecem desgastes irregulares.

Umidade excessiva: ambientes constantemente úmidos enfraquecem o tecido do casco e facilitam infecções.

Acúmulo de fezes e urina: a presença constante de matéria orgânica aumenta a carga bacteriana nas instalações.

Alta produção de leite: animais de alta produção apresentam maior exigência metabólica e maior pressão sobre os membros.

Falta de casqueamento preventivo: a ausência de manutenção periódica pode levar a desequilíbrios estruturais do casco.

Principais problemas de casco em vacas de leite

Diversas enfermidades podem afetar os cascos de vacas leiteiras. Entre as mais comuns observadas nas propriedades, destacam-se:

Dermatite digital

Também conhecida como doença de Mortellaro, a dermatite digital é uma das principais causas de claudicação em rebanhos leiteiros.

A doença é caracterizada por lesões infecciosas que surgem principalmente na região do talão do casco.

Suas principais características são:

Além do desconforto significativo para o animal, a doença tende a se disseminar rapidamente no rebanho quando não controlada.

Pododermatite infecciosa (podridão de casco)

A pododermatite infecciosa é uma infecção bacteriana que acomete o tecido interdigital do casco. Está frequentemente associada a ambientes úmidos, sujos e com acúmulo de matéria orgânica, fatores comuns em sistemas intensivos.

Os principais sinais clínicos incluem:

Úlcera de sola

Trata-se de uma lesão bastante comum em vacas de alta produção, geralmente associada à pressão excessiva no casco

As principais consequências para os animais são:

Laminite

É frequentemente relacionada a distúrbios metabólicos e nutricionais, especialmente em sistemas intensivos. A inflamação pode causar:

Impactos dos problemas de casco na produção de leite

Estudos da Embrapa mostram que alterações no comportamento alimentar ou no conforto das vacas podem reduzir significativamente o consumo de matéria seca, o que impacta diretamente a produção de leite e a eficiência do sistema produtivo.

Quando uma vaca sente dor ao caminhar, ela tende a visitar menos o cocho e a beber menos água, reduzindo a ingestão de nutrientes essenciais para a produção de leite.

Como identificar precocemente os problemas de casco

A identificação precoce é fundamental para evitar que lesões evoluam e causem prejuízos maiores.

Os produtores rurais devem ficar atentos a alguns sinais importantes, como:

Prevenção: manejo que protege os cascos

A prevenção das doenças de casco depende principalmente de boas práticas de manejo dentro da propriedade.

Algumas medidas essenciais incluem:

Ambiente adequado

A melhoria do ambiente e do conforto animal tem impacto direto na produtividade. É importante que o produtor adote algumas melhorias nas propriedades, como a inserção de pisos drenados, limpeza frequente das instalações e controle da umidade.

Casqueamento preventivo

O casqueamento periódico ajuda a manter o equilíbrio do casco e prevenir lesões por sobrecarga. Ele deve ser realizado a cada 6-8 meses, em sistemas de confinamento, ou anualmente, em produção a pasto. Esta estratégia é fundamental para corrigir o crescimento dos cascos, garantir o aprumo correto e evitar doenças. Esse manejo melhora a locomoção, o bem-estar e a produtividade, podendo ser realizado no período seco ou cerca de 100 dias após o parto.

Importância do tratamento precoce

Lesões tratadas no início têm maior chance de recuperação e menor impacto produtivo. O atraso no tratamento pode permitir que infecções evoluam para quadros mais profundos e crônicos.

De forma geral, o tratamento envolve:


É importante que o produtor rural consulte sempre um médico-veterinário de confiança, que avaliará cada caso individualmente, levando em consideração o tipo de lesão e a gravidade.

Manejo contínuo: a chave para reduzir casos no rebanho

Como vimos, a saúde dos cascos não depende apenas do tratamento das lesões, mas do manejo preventivo constante.

A identificação precoce dos problemas, aliada a boas práticas de manejo e prevenção, reduz perdas econômicas e melhora o bem-estar animal.

Investir na saúde dos cascos significa manter vacas mais saudáveis, produtivas e longevas — fatores essenciais para a sustentabilidade e a rentabilidade da pecuária leiteira.

Por isso, a adoção de práticas preventivas, aliada ao acompanhamento técnico, é fundamental para reduzir a incidência de doenças e garantir o bom desempenho do rebanho.