No dia a dia da pecuária, nem sempre os problemas mais graves são os mais fáceis de identificar. Um bezerro que deixa de comer, um animal que se isola do lote ou até uma tosse ocasional podem parecer sinais simples, mas muitas vezes são o início de um problema respiratório que compromete todo o desempenho do rebanho.
Bezerros, animais jovens e bovinos submetidos a situações de estresse, como desmama, transporte, confinamento ou mudanças climáticas, estão entre os mais suscetíveis. Quando não identificadas a tempo, essas enfermidades afetam diretamente o ganho de peso, a eficiência alimentar e, em casos mais severos, podem levar à morte dos animais.
Por isso, entender como as doenças respiratórias se manifestam, quando o tratamento é necessário e quais cuidados ajudam a prevenir esses quadros é fundamental para preservar a saúde do rebanho e a produtividade da propriedade.
Conheça as principais doenças respiratórias em bovinos
As doenças respiratórias bovinas englobam diferentes quadros clínicos, sendo o Complexo Respiratório Bovino (CRB) um dos mais relevantes. Ele envolve a associação de agentes infecciosos e fatores de manejo, tornando-se um desafio frequente em sistemas de produção mais intensivos.
Também são comuns:
- Pneumonias bacterianas, que podem se agravar rapidamente;
- Bronquite e broncopneumonia, com inflamação das vias aéreas e do pulmão;
- Infecções secundárias, que surgem após episódios de estresse ou infecções virais.
Muitos desses quadros começam de forma leve, mas tendem a evoluir quando não recebem atenção adequada logo no início.
Sinais clínicos que exigem atenção
Produtor, a observação diária do rebanho faz toda a diferença no controle das doenças respiratórias. No campo, alguns sinais se repetem nos quadros respiratórios e não devem ser ignorados:
- Respiração acelerada ou com esforço;
- Corrimento nasal, que pode variar de claro a purulento;
- Tosse frequente;
- Febre;
- Prostração e isolamento do grupo;
- Redução do consumo de alimentos.
Agir nos primeiros sinais ajuda a evitar o agravamento do quadro. E, na prática, isso significa menos perdas, melhor recuperação e maior eficiência produtiva.
Quando o tratamento sistêmico é necessário
Nem todo problema respiratório exige o uso imediato de antibióticos. Em situações iniciais ou mais leves, ajustes de manejo e acompanhamento podem ser suficientes.
O tratamento sistêmico passa a ser necessário quando há suspeita ou confirmação de infecção bacteriana, a febre se mantém por mais tempo, os sinais clínicos evoluem rapidamente e existe comprometimento pulmonar.
Em todos os casos, a avaliação e a orientação do médico veterinário são indispensáveis.
A importância da escolha correta do antibiótico
Cada caso respiratório tem suas particularidades. Por isso, não existe um antibiótico único que funcione para todas as situações.
A escolha do princípio ativo deve considerar a gravidade do quadro, o possível agente envolvido, o histórico sanitário do rebanho e a fase produtiva do animal. Além de aumentar as chances de sucesso no tratamento, essa escolha criteriosa contribui para o uso responsável de antibióticos e para a redução da resistência antimicrobiana.
Mais do que escolher um antibiótico, o sucesso do tratamento está em usar o princípio ativo certo, no momento adequado e com acompanhamento técnico.
Florfenicol: quando é indicado em problemas respiratórios?
Entre os antimicrobianos utilizados em protocolos respiratórios, alguns princípios ativos se destacam conforme o perfil do caso.
O florfenicol, por exemplo, é um antibiótico de amplo espectro, conhecido pela boa penetração nos tecidos pulmonares. Ele costuma ser indicado em quadros respiratórios bacterianos mais avançados, especialmente quando há inflamação intensa e comprometimento do pulmão.
Como todo tratamento antimicrobiano, seu uso deve seguir rigorosamente a dosagem, o intervalo entre aplicações e o período de carência, sempre com orientação técnica.
Ceftiofur: características e aplicações em doenças respiratórias
O ceftiofur pertence à classe das cefalosporinas, atua contra diferentes bactérias Gram-positivas e Gram-negativas e é frequentemente utilizado em protocolos respiratórios por apresentar boa eficácia e perfil de segurança.
É utilizado no tratamento de infecções respiratórias bacterianas, especialmente em situações que exigem uma resposta terapêutica mais rápida.
Erros comuns no manejo das doenças respiratórias
Algumas falhas no manejo podem comprometer todo o tratamento, como:
- Demorar para agir após os primeiros sinais;
- Tratar sem diagnóstico ou orientação profissional;
- Interromper o tratamento antes do tempo recomendado;
- Desconsiderar fatores de estresse e ambiente;
- Não separar animais doentes do restante do lote.
Evitar esses erros ajuda a reduzir perdas e melhora os resultados no controle das doenças.
Manejo que faz a diferença começa com prevenção
A prevenção continua sendo uma das principais aliadas no controle das doenças respiratórias.
Algumas medidas simples têm grande impacto, como a redução do estresse no manejo, boa ventilação nas instalações, cuidados especiais na desmama e no transporte, programas de vacinação bem conduzidos e monitoramento diário dos animais. Todas essas práticas contribuem para um rebanho mais saudável e produtivo.
Respiração saudável é sinônimo de produtividade
As doenças respiratórias podem passar despercebidas no início, mas seus efeitos são sentidos ao longo de toda a produção. Identificar os sinais precocemente, tratar de forma correta e investir em prevenção são atitudes que fazem diferença no desempenho e no bem-estar dos bovinos.
Na pecuária, saúde respiratória não é detalhe de manejo, é base de produtividade.
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